Bramont vivo & non-legalize

Esquecido, mirrado e abandonado, esse blog foi vítima dos males contemporâneos: excesso de atividades de seu dono. Um projeto de pesquisa cabuloso (que ainda não foi devidamente defendido), aliado a uma puxada rotina em minha querida empresa, acabou me afastando das atividades blogueiras por um tempo.

Mas sorriam, caros vizinhos, entregadores de panfletos e telefonistas da LBV: estou de volta!

Meu post de retorno não será tão colossal quanto a despedida da Oprah (porra, foi uma semana só de despedida!), tampouco magistral (haha) como a temporada do Ronaldinho Gaúcho. Será breve e maroto como aquele punzinho largado pelo seu colega durante uma reunião chata: você não sabe se ri, se inveja ou se fica puto.

O tema é um tema que está me emputecendo: discussão sobre descriminalização das drogas. Se o leitor achou que cover do Alejandro Sanz na Rua Augusta ou a insistência patológica de incluir ervilha nas pizzas portuguesas seriam os emputecedores escolhidos, também acertou – mas deixemos isso para um post sabático.

No dia 19/06, a Folha de S. Paulo publicou um editorial “Legalizar as drogas”, o qual foi, indireta ou implicitamente, reforçado pela opinião da colunista Fernanda Mena.

Pelo bem da transparência, antes de apresentar tais posições divulgo a minha: sou totalmente contra.

Unindo editorial e coluna, resumi em tópicos os principais argumentos :

a. A guerra contra as drogas custou/custa/custará muito caro, não vem surtindo muito efeito e poderia ser melhor empregada na prevenção ou recuperação de dependentes;

b. Maconha oferece aos seus consumidores os mesmos danos que tabaco e álcool, logo, deveria ser tão legal e “regulado” quanto;

c. Personalidades, como Kofi Annan, Paul Volcker, FHC e Mario Vargas Llosa, apóiam a legalização;

d. “Estudos” demonstram que o uso da maconha tem menor potencial de causar dependência (9%) que álcool (15%) e tabaco (32%);

e. Outros países, como Holanda e Portugal, já liberaram o uso; e

f. As pessoas merecem ter liberdade sobre o que fazem com sua saúde/vida.

Meu objetivo com este post é, simplesmente, compartilhar a leitura crítica que fiz (e que costumo fazer em qualquer coisa que leio). Questão de sobrevivência intelectual.

Sou contra qualquer tentativa de regular a imprensa: ela é quem expõe as escorregadas do poder. Mas me preocupo com: “e quem expõe as escorregadas da imprensa?” É aí que entra nossa massa crítica.

Chega de papo. Vamos aos argumentos utilizados e algumas reflexões que este modesto servo do capitalismo selvagem considera relevantes:

Reflexões sobre o argumento A:

1. Qual o embasamento para a afirmação da falta de efetividade?  Quais os métodos utilizados para simular a demanda em caso de legalização? O que pode acontecer, em termos de um “epidemia” de uso, por exemplo, de crack ou heroína (nas casas, nas famílias, nas escolas, nas empresas)?

2. Quanto seria o custo necessário para “prevenir e recuperar os dependentes”? Qual seria o custo necessário para fiscalizar (ministérios, inmetro etc) a venda legal da maconha?

3. Como garantir que o dinheiro economizado (espalhado em tantas áreas, setores e rubricas distintas) seria revertido para prevenção e recuperação?

4. Se o sistema público de saúde não dá conta de atendimentos básicos e emergenciais, dará conta de atender procedimentos complexos e mais demorados como os necessários para recuperação de dependentes?

5. Como ficaria o relacionamento institucional com os países em que não é permitido produzir e consumir? Brasil se transformaria num pólo exportador de drogas? Pólo importador? Cartéis de drogas enriqueceriam?

6. Quais são os resultados obtidos com as atuais práticas de prevenção e recuperação?

[PAUSA PARA O VINHO: BLOGUEIROS AMADORES TAMBÉM BEBEM CARMENÉRE]

Reflexões sobre o argumento B:

1. Não há consenso científico sobre essa afirmação, tampouco sobre os males causados pela maconha.

2. O fato de termos algo que faz mal e nos gera problemas é justificativa para autorizarmos outra nos mesmos moldes? Não deveria ser o contrário?

3. Os seres que respiram sabem que, ao menos no Brasil, as regras sobre venda de tabaco/alcool para menores de 18 anos são totalmente desrespeitadas. Ou seja: mais uma substância proibida para menores nas mãos (e bocas) de menores.

4. Ao legalizar apenas a maconha, não continuará havendo traficantes para vender as outras drogas?

Reflexões sobre o argumento C:

1. Com todo o respeito aos ilustres, mas o que um escritor (Llosa) e um economista (Volcker), por exemplo, entendem do assunto? (Não quero utilizar o estratagema schopenhauriano de desqualificar o autor e não a idéia, mas o editorial não defende a idéia e sim o autor)

2. Como garantir que não estão “advogando” em causa própria?

Reflexões sobre o argumento D:

1. A academia não aeita afirmações sem a devida menção às referências feitas e, mesmo assim, questiona sempre a veracidade de estudos mencionados. Quais estudos são esses? Quais métodos conduziram os estudos? Quais suas limitações? Há estudos que contrariam essas conclusões?

2. A menor dependência não está relacionada a seu caráter de ilegalidade? É razoável acreditar que álcool e tabaco são mais “viciantes” por serem mais facilmente consumidos, uma vez que estão à venda em qualquer esquina.

3. Alguém já fez os cálculos: de 100% que consome maconha/tabaco/álcool, qual a frequência de utilização de cada substância? Arrisco dizer que maconha tende a apresentar um número mais elevado.

[PIT-STOP MUSICAL-URINADO]

Reflexões sobre o argumento E:

1. O fato de dois (ou mais) países decidirem algo é sinônimo de que tal decisão é adequada ao Brasil? Diferenças sociais, educacionais, culturais e econômicas não devem ser levadas em consideração? Exemplo: gravidez na adolescência. Quais as diferenças percentuais entre Brasil, Portugal e Holanda? E quanto a acidentes de trânsito, evasão escolar, corrupção, violência doméstica? Tais diferenças não significam uma “maturidade/senso de responsabilidade” média inferior do Brasil?

2. Quais são os resultados obtidos pelos países em que houve legalização?

3. O que a legalização das drogas atrairia de turismo “narcótico”?

Reflexões sobre o argumento F:

1. Opa, então vamos tratar de eliminar FGTS (se posso ter a liberdade de usar drogas, não posso escolher o que fazer com meu próprio dinheiro?), do uso obrigatório de cinto de segurança, do capacete para motociclistas, da ida à escola e, claro, da proibição à eutanásia.

2. O consumo de drogas impacta realmente apenas a vida do próprio usuário?

3. Se alguém fumar 25 maços de cigarro, o que acontece? E se alguém fumar 25 pedras de crack? E se alguém injetar 500 gramas de cocaína?

Em resumo:

a. Jornalistas: sigam a cantilena científica – ao citar “estudos”, apresentem as fontes, o método utilizado, eventuais estudos contrários;

b. Formuladores de políticas públicas: simulem os efeitos de suas propostas, façam testes de sensibilidade com dados extremos e considerem as peculiaridades de cada local;

c. “Celebridades”: sejam responsáveis ao emitir sua opinião. Lembrem-se que há pessoas que seguem suas opiniões sem refletir muito a respeito.

d.Dono do restaurante que comi com a Joice há pouco: não é legal ter repolhos e cenouras grudadas no sashimi.

Até a próxima!

ps: por amor à espontaneidade e rusticidade, o texto vai sem revisão. Eventuais erros de digitação serão convertidos em auto-flagelação matinal (flexões e abdominais).

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Comi, ouvi, li e experimentei da semana

Livro Cuca Fundida, de Woody Allen:

Desde pequeno, gosto de humor nonsense. Uma de minhas primeiras redações (escrita em conjunto com meu grande amigo Marcel Horner) tinha como título “VomitoMan – O defensor dos frascos e comprimidos”. Nessa época, ainda não conhecia WA. É uma pena, pois ele é o mestre nesse tipo de humor. VomitoMan teria sido, no mínimo mais sarcástico.

O livro é ótimo. Fino, barato e leve. A tradução de Ruy Castro contribui para que o cinismo da versão original seja mantida.

ItapemaFM – rádio ao vivo:

Na minha opinião, Itapema FM é a melhor rádio brasileira. Em Florianópolis, ela é sintonizada no 93.7 e sua programação só tem coisa de primeira qualidade. Toca um pouco de tudo, como MPB, samba, jazz, R&B e folk. A boa notícia é que dá pra ouvir na internet: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?contentID=87668&channel=252&uf=2&tipoVivo=1.

Difusor da Talchá:

Eu e a Joice vamos tentar tomar chá. O que nos motivou a isso foi uma loja muito maneira, chamada Talchá, que fica no pátio Higienópolis. Sachês legais, sabores diferentes, embalagens hipnóticas. (Sim, o ser humano compra por impulso!)

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Que o bigodinho não me leia

O recente tsunami japonês irá eclipsar (na real, já está eclipsando) as notícias sobre a situação líbia. Por isso, decidi apresentar logo algumas idéias que tenho sobre este assunto antes que ele vire “manchete do dia anterior”.

Em uma situação de guerra (como é a da Líbia), a estratégia a ser adotada por qualquer parte envolvida depende, obviamente, de uma análise criteriosa de seu inimigo e de si próprio. Sun Tzu (a, p. 43) concorda comigo (ou seria eu a concordar com ele?):

Conheça a si mesmo e ao inimigo e, em cem batalhas, você nunca correrá perigo.

Conheça a si mesmo, mas desconheça seu inimigo, e suas chances de ganhar e perder são iguais.

Desconheça a si mesmo e ao inimigo e você sempre correrá perigo.

Meu objetivo com este texto é analisar o conflito armado na Líbia amparado em tópicos específicos sobre guerrilha militar. Não desejo despertar no querido leitor taras revolucionárias, mas sim apresentar um panorama mais técnico sobre um tema que vem recebendo atenção mundial.

Comecemos por uma análise simplificada e repleta de estimativas sobre as partes envolvidas:

1. SITUAÇÃO LÍBIA

a. Rebeldes

-tropa estimada: até 50 mil;

– armamento empregado em combate: armas pessoais (fuzis, submetralhadoras, pistolas) e algumas peças de artilharia anti-aérea;

– baixas: 4.500. Estimativa baseada em estimativas da ONU de baixas no país;

– liderança: Conselho Nacional da Líbia, composto por representantes de parcelas da sociedade que aderiram ao movimento rebelde, dentre oficiais, políticos e estudantes;

b. Muammar al-Gaddafi

– tropa estimada: 500 mil, entre oficiais e subalternos. Estimei essa quantidade a partir de dados disponíveis no The World FactBook publicado pela CIA (b), como população do país, distribuição por faixa etária e idade para serviço militar obrigatório.

– armamento empregado em combate: força aérea com caças e aviões bombadeiros, peças de artilharia, tanques e armamento pessoal para as tropas de infantaria;

– baixas: 1.000. Estimativa baseada em estimativas da ONU de baixas no país;

– liderança: família Gadafi.

c. Vamos para o mapa do teatro das operações (posição 09/03/2011):

Mapa dos conflitos na Líbia em 09/03/2011. Fonte: Veja.

Observação: a cidade de Rans Lanuf, no gráfico mostrada sob domínio dos rebeldes, já foi reconquistada pelo exército líbio em 11/03/2011, que agora marcha para Brega.

2. MEU NOME É GUERRILHA, MUITO PRAZER!

Em batalhas como essa, em que um lado é muito mais fraco, deve-se evitar combates abertos e convencionais. A justificativa é óbvia: a combinação de aviões, tanques e infantaria tem alto poder destrutivo e, se não enfrentar adversário à altura, sofre pouquíssimas baixas. Na Líbia, é exatamente isso que está acontecendo. Com armamento leve, os rebeldes dependem de proximidade geográfica para infligir algum dano. Quando chegam perto, entretanto, são repelidos por armas que atacam “à distância”, mencionadas na primeira frase deste parágrafo. O resultado dessa equação você já conhece…

Normalmente, o lado em inferioridade quantitativa e qualitativa (armamento e tropa) só consegue sobreviver se adotar táticas de guerrilha. Três militares ficaram marcados na história por dominarem tais táticas. Muitas de suas manobras, inclusive, contribuíram para o desenvolvimento da doutrina. Apresento-lhes abaixo:

a. General vietnamita Vo Nguyen Giap: liderou Vietnã contra França (Batalha de Dien Bien Phu, em 1954) e contra EUA (retirada das tropas norte-americanas em 1973);

b. Político/militar chinês Mao Tsé-Tung: liderou tropas comunistas chinesas contra tropas do Partido Nacionalista Chinês (guerra civil que culminou na ascensão do Partido Comunista ao governo do país em 1949); e

c. General Ugandense Yoweri Kaguta Museveni: liderou Resistência Nacional de Uganda contra Idi Amin (1979) e contra Milton Obote (1986).

Em suma, operações de guerrilha têm como objetivo principal derrotar o adversário por meio de pequenos, persistentes, precisos e repetidos (mas sempre diferentes) ataques (c). Agem como formigas (lógica imprevisível por trás de pequenas, rápidas e doloridas picadas), enquanto batalhões militares tradicionais atuam como cães (lógica previsível impulsionando força bruta, destruição e intimidação). Como batalhas desse tipo costumam durar anos e anos, o adversário acaba sendo vencido pelo cansaço e desgaste natural de quem vive sob tensão e sob ataques múltiplos.

Grandes ou pequenas, brancas ou pretas, capitalistas ou comunistas, toda boa guerrilha tem como essência quatro características, que formam o que chamo de MAS – (i) mobilidade, (ii) autonomia, (iii) seletividade. Vamos aos detalhes. Como diz o ditado, eles são os tijolos da residência do Coisa-Ruim.

Mobilidade é necessária para poder atacar múltiplos alvos simultaneamente e fazer com que o adversário disperse suas tropas de defesa. Essa dispersão é importantíssima, uma vez que o atacante está em inferioridade numérica e, por isso, deve contar com o fator-surpresa a seu favor. Regra de Ouro número 1: a dispersão é sempre ruim para a defesa. Abre flancos, exige mais comandantes militares (que podem acabar sendo promovidos sem o devido preparo e treinamento), consome mais recursos das tropas e por aí vai. Regra de ouro número 2: a surpresa turbina qualquer ataque. Induz ao erro, desorganiza planos defensivo, perturba psicologicamente – paremos em três efeitos.

No Vietnã, por exemplo, era comum tropas norte-americanas serem pegas em emboscadas planejadas em minutos. As armas estavam espalhadas em vilas e os vietcongues se comunicavam rapidamente por meio de civis que transitavam de forma insuspeita (leiteiros, carteiros etc). Isso obrigou o exército norte-americano a dividir seus bombardeiros e suas peças de artilharia, o que lhes reduziu consideravelmente poder de fogo.

Na Líbia, eu, você e até o rapaz que consertou meu aquecedor a gás no sábado sabemos onde estão as tropas rebeldes, o que irão fazer e de que forma. Mostrando-se como alvos fixos, cuja movimentação é plenamente conhecida, os rebeldes estão facilitando muito o trabalho de seus adversários.

Autonomia para pequenos grupos é herança da doutrina militar alemã e é o segundo conceito vital de guerrilha. Cada guerrilheiro deve saber qual é a sua função e qual é o seu objetivo. A partir disso, deverá persegui-lo incansavelmente, sem necessitar de supervisão superior, como em forças armadas tradicionais. Isso lhes dá a forma de uma criatura com milhares de braços, pernas e cérebros. Não basta cortar a cabeça fora que outra nasce no lugar. Infelizmente, o crime organizado (tráfico de drogas, principalmente) age da mesma forma – e é por isso que sua estrutura é tão eficiente e difícil de eliminar.

Vejamos o caso de Uganda, início da década de 80, governo de Milton Obote. Pequenos grupos de guerrilheiros se reuniam em florestas e, depois disso, provavelmente nunca mais se encontravam. Cada um tinha sua missão e deveria cumpri-la, se necessário, em troca da própria vida. O resultado das ações de cada guerrilheiro acabava sendo conhecido pela imprensa, que divulgava os ataques e atentados a prédios oficiais ou a altos integrantes do governo ditatorial. Havia um líder militar do movimento guerrilheiro (o general Museveni), mas isso não era um gargalo. A estratégia já estava traçada, mas as táticas e ações eram responsabilidade total e exclusiva dos executores (d). Assim, não bastava silenciar o “compositor”: para acabar com o barulho, todos os instrumentos e músicos também tinham que ser destruídos…Observação: o segundo episódio da ótima minissérie Sherlock Holmes (http://livrosemserie.com.br/2010/08/02/bbc-lanca-minisserie-sobre-sherlock-holmes/) também mostra uma aplicação desse conceito.

Parece-me que cada rebelde líbios até possui autonomia, pois não se vê muita organização no movimento. Entretanto, estratégia – se é que existe – não está clara. Li pelo jornal que desejavam tomar Tríopoli (a capital). Mas isso é meta, e não estratégia. Sem um objetivo estratégico claro (matar Gadafi? fazê-lo renunciar?), fica difícil traçar uma estratégia. Sem a estratégia, é impossível criar pequenas unidades táticas autônomas.

E, por fim, uma seletividade disciplinada. Guerrilha está mais para Pôker que Xadrez (no qual é comum sacrificar peças por posições mais interessantes). Estatísticas ditas pelo meu amigo Guto (a fonte é confiável!) indicam que campeões de Poker aceitam jogar apenas 1 vez a cada 10 rodadas. Na guerrilha, acontece o mesmo. Como há muito menos recursos à disposição, cada ataque deve ser minuciosamente calculado e precisamente executado. Não há espaço para baixas significativas (ou mesmo desperdício de munição!), uma vez que, provavelmente, a renovação de recursos (novos guerrilheiros, dinheiro, suprimentos etc) acontecerá em ritmo muito menor que no outro lado. Por isso, análises do tipo “custo/benefício” devem ser deixados um pouco de lado. Guerrilhas são um verdadeiro exercício de paciência e persistência. Até munição não deve ser desperdiçada.

Na China de Mao Tsé Tung, as tropas comunistas focavam seus ataques a militares e policiais do governo. Assim, além de desestabilizar o regime, aproveitavam para pegar armas e munição assim como, de vez em quando, conseguiam infiltrar guerrilheiros no governo usando uniformes e identificações que eram de seus adversários.

Sob essa ótica, os rebeldes libios até começaram bem. Conquistaram importantes pólos petrolíferos, o que mostrou foco. Depois, entretanto, deixaram a emoção falar mais alto: quiseram conquistar a cidade-natal de Gadafi por motivos simbólicos. Começaram a discutir formas de governar o país, mesmo sem terem derrotado o adversário. Chegaram a comemorar a tomada de algumas cidades, inclusive atirando para cima (gastando munição que é escassa). A energia dispensada seria melhor direcionada para treinamento das tropas, planejamento militar de defesa ou mesmo mobilização da população que ainda apoiava Gadafi.

3. INCONCLUSÕES

Continuo torcendo pela queda do Gadafi, embora já ache pouco provável que isso vá acontecer. E, se acontecer, não será por força dos rebeldes, que devem ser derrotados em, no máximo, 4 semanas.

O tema guerrilha é tão poderoso que passou a ser utilizado, com algumas adaptações, em outras disciplinas, como propaganda e marketing. Acredito que o livro de Al Ries e Jack Trout (e) foi o grande precursor, e muitas de suas idéias continuam válidas.

Até a próxima!

REFERÊNCIAS

(a) TZU, Sun. A arte da guerra: os 13 capítulos originais. Traduzido e adaptado por André da Silva Bueno. São Paulo: Jardim dos Livros, 2010. 125 p.

(b) https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ly.html. Acesso em 13/03/2011.

(c) MUSEVENI, Yoweri Kaguta. The strategy of protracted people’s war: Uganda. Military Review, Nov-Dez 2008. pp 4-13.

(d) GREENE, Robert. The 33 strategies of war. New York: Penguim Books, 2006. 471 p.

(e) RIES, Al; TROUT, Jack. Marketing Warfare. New York: McGraw-Hill. 1986. 170 p.

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Das trevas ele ressurge (agora carregando o erre)!

Eu, ele, nós.

Eu e o MB estávamos meio sumidos, reorganizando nossa vida depois de um (estressante) processo de mudança.

 

Não foi mudança psicológica ou de sexo (que já é autorizada pelo SUS, ufa!), mas sim de endereço físico. Eu e a Joice abandonamos o cerrado de Brasília e desembarcamos na tropicalidade da capital financeira do país: São Paulo-SP.

Joey, nosso amiguinho cocker caramelo, foi eliminado no paredão e teve que voltar a Florianópolis. Motivo puramente racional: iríamos morar em em apertamento aqui em SP e seria sacanagem com ele (e com nossos móveis) mantê-lo preso, sem calangos e passarinhos para caçar e sem grama pra correr (outra rima com “ar” também seria aplicável).

A mudança foi cansativa e dolorida, mas enfim acabou. A Joice, com sua ginga e habilidade comercial libanesa, tirou o sono de dezenas de corretores e achou um apartamento próximo à Av. Paulista (onde nós trabalhamos), espaçoso e com o preço dentro do nosso orçamento.

Nossa rotina profissional ficou incrivelmente mais leve, pois vamos a pé ao trabalho – dádiva que poucos têm em SP. Vale a pena: temos tudo ao alcance de nossos rechonchudos pezinhos – shopping, restaurantes, cinemas, metrõ, parques, mercados, boates, cachorro-quente de madrugada etc. Além disso, de quebra, ainda escapamos de ter que, digamos,  interagir diariamente com axilas de terceiros (algumas invariavalmente vencidas) dentro do metrô.

Nosso lado consumista já tratou de adquirir os itens indispensáveis para sobrevivência em terras paulistas: GPS, celular com acesso ilimitado (esqueçamos os asteriscos) à internética, guarda-chuva e campeonato carioca. Equipados para a guerra, agora estamos desbravando o ambiente. Novidades publicarei aqui.

Enfim, estamos muito felizes.

ps: um adendo espetacular e muito importante para a economia do Mercosul: pela primeira vez, em quase 18 anos lendo a Folha de São Paulo, a seção “trânsito” no caderno cotidiano passa a fazer sentido pra mim. Aê!

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Números de 2010. Obrigado!

Os duendes das estatísticas do WordPress.com
analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um
resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™
indica: Uau.

Números apetitosos

Featured image
Um duende das
estatísticas pintou esta imagem abstrata, com base nos seus
dados.

Um Boeing 747-400
transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de
5,900 vezes em 2010. Ou seja, cerca de
14 747s cheios.

Em 2010, escreveu
48 novo artigo, aumentando o arquivo
total do seu blog para 49 artigos. Fez upload
de 35 imagens, ocupando um total de
4mb. Isso equivale a cerca de 3 imagens por mês.

O seu dia mais ativo do ano foi 26 de abril com
75 visitas. O artigo mais popular
desse dia foi Se
você fosse o estrategista (última parte) – José
Serra
.


De onde
vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram
em 2010 foram orkut.com.br,
google.com.br,
webinsider.uol.com.br,
twitter.com e
search.conduit.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo
por movimento browniano,
pontos negativos de josé serra,
inteligencia e contrainteligência,
josé serra pontos negativos e
pontos negativos do serra

Atracções em 2010

Estes são os
artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Se
você fosse o estrategista (última parte) – José Serra

fevereiro,
2010

5 comentários

2

Se
você fosse o estrategista (parte 1) – José Serra
fevereiro,
2010

4 comentários

3

A
técnica do cliente oculto
junho,
2010

4 comentários

4

Se
você fosse o estrategista – Dilma Rousseff (parte 2)

março,
2010

4 comentários

5

Se
você fosse o estrategista – Dilma Rousseff (última parte)

março,
2010

2 comentários

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Arquivado em Sobre o blog

Dica de lazer – The Mentalist

Nos – cada vez mais raros – intervalos que tenho entre as noites de sono e dias de trabalho, divirto-me assistindo a uma série de tv chamada “The Mentalist”.

Estrelada pelo australiano Simon Baker, a série conta a história de Patrick Jane, um falso vidente que ganhava a vida de forma trapaceira, fingindo falar com espíritos, ler mentes e coisas do gênero. Embora charlatão, o cara é foda: domina técnicas de ilusionismo e de hipnose, abre fechaduras, detecta mentiras e mais um monte de habilidades interessantes.

Mas sua vida muda quando ele sofre uma tragédia: um serial killer (entitulado Red John por matar mulheres e desenhar um smiles com o sangue das vítimas) mata sua esposa e filha, em retaliação a uma entrevista em que Patrick finge se conectar telepaticamente com o criminoso e o chama de “uma pessoa feia, problemática” (a cena em que Patrick descobre o assassinato é primorosa. Não vou contar detalhes pra não estragar a festa).

A partir daí, com o desejo de se vingar, Patrick decide atuar com o CBI (agência de investigação da Califórnia, uma espécie de polícia civil superequipada), emprestando suas habilidades para resolver diversos crimes. Evidente que seu objetivo principal é encontrar Red John, o qual continua a  matar e a provocá-lo com jogos sádicos e mensagens cifradas. Patrick atua junto com outros agentes: Cho (um coreano com humor seco), Rigsby (um rapaz alto e atlético, mas com pouco raciocínio), Lisbon (a chefe workahlic que sempre briga com Patrick mas se rende ao seu talento) e Grace Van Pelt (uma agente nova, conservadora e de bom coração).

O seriado é muito bem feito. Fotografia criativa, trilha sonora instigante, atores muito bons. Patrick Jane é um Sherlock Holmes mais bem humorado (viciado em chá, em vez de heroína e cachimbo), envolvente e muito irônico. Ele resolve os crimes com métodos poucos ortodoxos e, quase sempre, exagera no sarcasmo.

Tudo que uma boa história precisa está ali: um fio condutor poderoso, personagens bem construídos, crimes originais, diálogos inteligentes, observações perspicazes (como a de um crime resolvido quando Jane olhou a sola gasta do sapato de um cadeirante e deduziu que a deficiência era uma farsa) e diversão garantida.

Antes a série passava no SBT e na Warner Channel. Agora só comprando em DVD ou baixando na internet. Sugiro assistir os episódios na sequência, para que a história seja perfeitamente entendida.

Mais informações, comentários e episódios para download em:

http://thementalist.forumbrasil.net/

Espero que gostem.

Até mais!

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Pequena dica: rotulador eletrônico

Vou compartilhar uma dica preciosa para quem gosta de organizar suas coisas e evitar desperdícios. Não é um produto das organizações Tabajara, mas pode resolver vários de seus problemas.

Pus até uma foto do protagonista deste post:

Descobri essa jóia quando tive a chata tarefa de etiquetar várias pastas sanfonadas. Usar o adesivinho necessitaria que eu escrevesse à mão as palavras. Entender minha letra exigiria um arqueólogo ou um vidente. Para evitar essa dificuldade, então, procurei alternativas e – voilá! – encontrei, na internet, resenhas sobre esse produto. Depois de muita análise, propus sua compra ao meu querido amigo e chefe Bona, que prontamente aceitou o pedido.

Depois disso, tornei-me um novo homem. Os pássaros passaram a cantar de forma mais harmoniosa. O céu se mostrou mais azul. As pastas ficaram mais padronizadas. A alegria voltou a reinar no mundo dos arquivos metálicos.

A facilidade de manuseio é incrível. Você digita, aperta um botão para imprimir, aperta outro pra cortar o adesivo (que já vem com o tamanho pré-definido) e pronto, basta retirar o adesivo e colá-lo.

Aqui em casa, eu e a Joice usamos principalmente pra etiquetar os alimentos, especialmente aqueles cuja validade é n dias depois de abertos, como leite, molho de tomate ou requeijão. Ao abri-los, calculamos sua data de validade e a adesivamos em um local visível da embalagem.

Simples, não? Fica aí a dica. O preço médio é 100 reais e você encontra em sites de e-commerce ou papelarias.

Até a próxima!

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